6.11.08

Dizer "yes we can" em Portugal

Mais uma vez, concordo inteiramente com o que Manuel Caldeira Cabral escreve a este propósito no Jornal de Notícias:
As lições que vêm dos EUA devem ser aprendidas em Portugal. É importante que as eleições que vamos ter no próximo ano dêem um mandato de mudança ao Governo que se segue. Esta responsabilidade é nossa. Cabe-nos aplaudir, apoiar, incentivar as propostas de mudança, do Governo ou da oposição, e assumir um compromisso com as mesmas, sabendo que qualquer alteração tem custos e afecta interesses instalados, mas que não fazer nada pode ter custos muito maiores.

É importante que José Sócrates compreenda que o melhor caminho para ganhar as eleições é fazer mais propostas de reformas e não menos. É importante que a oposição e a imprensa pressionem nesse sentido, em vez de se associarem acriticamente a todas a críticas de grupos de interesse. Cabe à opinião pública estar atenta, sendo especialmente crítica em relação a quem critica sem apresentar melhores alternativas, ou aos membros do Governo que brilham a criticar as fraquezas da oposição. A oposição e os grupos sociais devem apresentar alternativas e o Governo argumentos para as suas propostas.
Pronunciando-se também sobre as lições da vitória de Obama para Portugal, o Luís Jorge reincide, infelizmente, na estridência a que nos vem habituando desde que virou à esquerda, de modo que não posso recomendá-lo.

5 comentários:

Luis M. Jorge disse...

Que se passa, João? Agora és o árbito da opinião política na blogosfera rosa? Uma espécie de ASAE?

Se não podes recomendar, não recomendes. Podias era poupar-me a insinuações pouco inocentes: não é de todo verdade que eu tenha "virado à esquerda". Não mais do que os políticos do PS (e são muitos) que se manifestaram contra este governo por excelentes razões.

Elisiário Figueiredo disse...

Até António Arnault, ex-ministro da saúde, pai do SNS muito longe de ser um "perigoso esquerdista" diz isto:

http://senhorcosta.blogs.iol.pt/3307/

não consegui aceder à entrevista na Revista Visão.

João Pinto e Castro disse...

Luis, olha que também estás a perder o espírito de humor: é óbvio que não viraste à esquerda, mas sim à direita. Logo, não há aqui nenhuma insinuação.

Como sabes, acho as tuas preocupações compreensíveis e até partilho algumas delas. Tudo normal nesse plano. Tu é que pareces não admitir ideias diferentes sem lhes atribuir intenções ocultas, como mais uma vez fazes no teu comentário.

Aprecio-te e sou teu amigo de verdade, mais uma razão para me desagradar esse tom, que inclusive não te tens coibido em mais de uma ocasião de usar a despropósito contra mim.

Luis M. Jorge disse...

João, garanto-te honestamente que só agora percebi que o meu comentário podia ser interpretado como se fosse o de alguém muito mal humorado. Na verdade, estava um pouco, mas não tanto como se pode concluir aqui (aliás, deves ter compreendido isso pelo mail que te enviei logo depois). Queria ser sarcástico, não insolente. O tom é a coisa mais difícil de gerir para quem escreve — principalmente quando há uma discussão política envolvida. E esse pitch é tão enganador para quem escreve como, por vezes, para quem lê. Prometo ser mais cauteloso no futuro.

GL disse...

"mas sim à direita."

Ah, bom.

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João, quanto a dizer "Yes, we can" em Portugal, deixo aqui um "trecho" do discurso de Barack Obama que na minha opinião algum político tinha de picar e falar aqui em Portugal:... "Neste país, erguemo-nos ou caímos como uma nação, como um povo. RESISTAMOS À TENTAÇÃO DE RETOMAR O PARTIDARISMO, A MESQUINHEZ E A IMATURIDADE QUE HÁ TANTO TEMPO ENVENENAM A NOSSA POLÍTICA"...

Como isso é válido para a política doméstica...
É uma das maiores razões para estar a ser tão difícil sair deste atoleiro.

Está difícil (ou é impossível) a uma certa elite engolir esta maioria do PS... não falo da próxima, mas da actual.

O mundo mudou, Portugal está a tentar seguir o mundo, mas persistem os resisitentes.

Concordo plenamente com MCC quando diz: "É importante que José Sócrates compreenda que o melhor caminho para ganhar as eleições é fazer mais propostas de reformas e não menos."